terça-feira, fevereiro 28, 2006

_Finalmente!

Filmes italianos estarão no Centro Cultural Baeta Neves
Em março, acontece no Centro Cultural Baeta Neves o Ciclo Grandes Diretores do Cinema Italiano. São quatro filmes clássicos do cinema mundial feitos por quatro diretores daquele país. O público poderá conferir a presença de grandes astros e estrelas como Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale e Jeanne Moreau nos longas-metragens. Abaixo seguem as datas e horários:


_ROMA, CIDADE ABERTA (Itália – 1945) – 97 min
8 quarta 20h
Direção: Roberto Rossellini
Elenco: Anna Magnani, Aldo Fabrizi
Classificação indicativa: livre
Entre 1943 e 1944, Roma, sob ocupação nazista, é declarada "cidade aberta", para evitar bombardeios aéreos. Nas ruas, comunistas e católicos deixam suas diferenças de lado para combater os alemães e as tropas fascistas. Filmado logo após a libertação da Itália, em locações reais e com atores amadores, o filme tornou-se marco inicial do neo-realismo, que mostrou ao mundo que era possível fazer cinema mesmo sob as condições mais precárias.

_OBSESSÃO (Itália – 1942) – 140 min
15 quarta 20h
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Clara Calamai, Massimo Girotti, Juan De Landa
Classificação indicativa: livre
Em plena Itália do início dos anos 1940, no miserável Vale do Pó, Giovanna, a frustrada dona de uma pensão, planeja o assassinato do marido com a ajuda do amante Gino. Adaptação não-autorizada de O Destino Bate à Sua Porta, romance noir de James M. Cain, o filme marca a estréia de Luchino Visconti como diretor e é considerado por muitos críticos o marco inicial do influente movimento neo-realista.

_FELLINI 8 e ½ (Itália – 1963) – 145 min
22 quarta 20h
Direção: Federico Fellini
Elenco: Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Anouk Aimée, Sandra Milo, Rossella Falk
Classificação indicativa: livre
Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, conta a história de Guido, um cineasta em crise de inspiração que não consegue encontrar a idéia para seu próximo filme. Durante uma temporada de férias, ele é assombrado por sonhos e recordações de passagens marcantes de sua vida.

_A NOITE (Itália/França – 1961) – 122 min
29 quarta 20h
Direção: Michelangelo Antonioni
Elenco: Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau, Mônica Vitti e Bernhard Wicki
Classificação indicativa: 14 anos
Após dez anos de casamento, Lídia e Giovani passam uma noite permeada de momentos de angústia e luxúria, em uma busca involuntária de respostas para a crise de seu relacionamento. Segundo filme da célebre "trilogia da incomunicabilidade", formada ainda por A Aventura e O Eclipse.

Local: Centro Cultural Baeta Neves. Praça Cônego Lázaro Equini, 240. São Bernardo do Campo / SP Telefone: (11) 4125-0582
Ingressos: Grátis

_Wolfcreek - tentou, só tentou...

Wolfcreek é um filme que foge dos padrões, e com muitas falhas, um filme que tenta, e só...



1_O filme possui cenas de transição exageradas tentando trasmitir a imensidão e vazio do deserto australiano, mas acabam transbordando dentro do filme, sendo percebidas de outra maneira, algo que não funciona no filme. Acabam se desvinculando. Acho que a única cena de transição realmente simbólica é aquela em que existe uma bifurcação na estrada, uma asfaltada e outra de terra. Talvez Greg Mclean pudesse dirigir a continuação de "endless summer" com essas imagens!

2_A estética câmera na mão perde seu sentido quando mescladas às cenas sem trepidação. um exemplo disso é a chegada do trio à cratera de wolfcreek, onde a câmera, mesmo após a saída dos personagens permanece trepidante e subjetiva dentro do carro, fora do carro também continua trepidante, quando um corte súbito mostra uma sinalização da cratera e um crânio, uma tentativa de dizer pictoricamente o que está por vir, talvez um aviso de que todo aquele marasmo documental tomaria outro rumo, sairia daquela imensa apresentação, logo depois um PG sem trepidações, o que causou um imenso estranhamento, e o efeito pictórico e o suspense se foram por àgua abaixo.

3_O uso do silêncio nesse filme também é questionável. Talvez pelo fato de ser documental, e, segundo o diretor, usar um dos ensinamentos hitchcockianos de aproximação dos personagens com o público, Greg Mclean escolheu o silêncio ambiente como forma documental de aproximação, tanto dos personagens dando ênfase às falas como do deserto australiano e sua imensidão. O problema é que nenhum suspense é criado com o silêncio, a proposta pictórica dessa atmosfera de suspense não é adequada ao resultado do tratamento sonoro no filme, principalmente em seu ponto de virada, osde o suspense deveria ser ressaltado, de acordo com a tentativa.

4_Um erro de casting, a garota (aquela que futuramente se torna uma cabeça no espeto) é um perfeito esteriótipo da mulher australiana, a face esticada, queixo acentuado, traços finos. Felizmente o fato de ela ser inglesa no filme não é tão importante.

5_O final do filme é algo assustador, péssimo, mal resolvido na montagem e filmagem. Parece que o filme foi produzido linearmente com dias de produção contados, na montagem o prazo estava acabando e tudo se resolveu daquela maneira, rápida e desleixada. Até uma projeção de um PG com o avião voando parece ser digital, toda pixelizada, desconexa em qualidade. O filme se torna extremamente rápido no final...uma montagem apressada, só para mostrar o garoto sendo salvo.

6_Não é um filme onde cada cena importa para o contexto e nem onde cada cena tem sua importância fora de contexto, para depois se relacionar com a narrativa. Essa questão ainda procuro refletir, como o filme se encontra. Não descobri se isso é bom ou ruim.

7_aquela cena onde ela encontra as câmeras de vídeo e assiste ao vídeo todo editado...Me irrito com cenas decupadas e montadas desse jeito, mostrando só o óbvio, seria muito mais interessante algo como Antonioni usou maravilhosamente em "Blow Up" onde o personagem vai percebendo o crime junto com o espectador. Essa fita editada foge muito ao tom documental do filme, já que é algo praticamente impossível de se realizar em uma viagem, estranho.

Tenho lido algumas críticas, percebi que é realmente um divisor de opiniões. Saí do cinema com minha namorada e com o Vébis Jr. tentando entender, achar algo interessante, não sou um cara que vai armado, predestinado à descer a lenha no filme, uma prova disso são os posts passados. um cinema visto de olhos livres. Eis o que achei:

1_Fotografado com uma granulação árida, já citada, de forma incrível. A qualidade pictórica condiz perfeitamente com o ambiente e clima proposto pelo filme.

2_A montagem onde a inglesa(australiana...) acorda, e passa a tirar as amarras é bela, a transição foi feita de forma semelhante ao acontecimento, algo muito natural. inclusive o tempo que ela leva para cortar as amarras.

3_A outra turista, loira e medrosa, tem um tratamento de personagem interessante, algo que eu não via há muito tempo, aquela risada irônica sempre em que ela leva vantagem em sua fuga, entra nos ouvidos e transmite, quase que por si só, todo aquele sentimento de ódio e medo mesclados.

4_Alguns enquadramentos importantes, como aquele em que a inglesa(...australiana) tenta procurar um carro em um galpão e a face do assassino aparece. Genial!

5_O assassino, revelado sem mascaras ou explicações é algo importante por ali. O terror é gerado não pela aparência, mas pela amoral e pela própria situação em que os personagens se encaixam.

6_fora o erro citado anteriormente, o casting foi muito feliz na escolha de atores, todos com interpretações explêndidas


Talvez minha análise tenha sido muito técnica, mas é algo que chamou minha atenção e tive que levar por esse lado.



quinta-feira, janeiro 05, 2006

_Sobre a Sessão Dupla comodoro

Mais uma vez os dois filmes exibidos na sessão dupla comodoro me surpreenderam!



_O primeiro, e já sabido, Dellamorte, Dellamore (também lembrado como "Cemetery Man" e "Demons ´95") começou bem. Já estava me acostumando a filmes de estômago nas sessões, mas dessa vez Michele Soavi tirou gargalhadas através de contrastes e um leque de possibilidades. O engraçado foi a condução, atravessando a comédia, melancolia, drama, avacalhação e finalizando de forma filosófica e cheia de sentimento. Quando um dos mortos se torna um "returner" e sai com a moto da cova achei que o filme ia perder o rumo, se perder em meio a comédia pura de avacalhação ao cotidiano, mas acabou agradando e engrenou ainda mais a atenção da platéia. Me impressionou esse poder de condução da narrativa. Um filme que ganhou os prêmios de Amsterdam Fantastic Film Festival - Melhor Filme, Fantasporto - Melhor Ator, Gérardmer Film Festival - Melhor Filme Júri Popular / Prêmio Especial do Júri (Michelle Soavi), Málaga International Week of Fantastic Cinema - Melhor Ator / Melhor Efeitos Especiais (Sergio Stivaletti) impressionou. Um filme inusitado, que não se prende a nenhum dos paradigmas clichês do cinema."Dellamorte, Dellamore" é baseado em uma famosa série de quadrinhos italiana, "Dylan Dog, Investigador de Pesadelos".de Tiziano Sclavi.
Me impressionou um dos planos, que retrata a atmosfera cômica e surreal do filme, um plano em que com extremo zoom ele retrata a lua e o planeta terra (que fazia parte do cenário, uma parte da fonte do cemitério) só faltou um foguete-vibrador de Meliês pra completar a avacalhação! Em seguida o plano vai se abrindo e revela o verdadeiro cenário. Só me resta pesquisar mais sobre os poucos filmes de Michele Soavi e esperar que seu novo projeto saia do forno!


Um verdadeiro filme fantástico e de adimirável condução de roteiro e narrativa!

_Haute Tension (de Alexandre Aja):

Eis um bom filme de terror! Um suspense pesado e temporal, cria piripaques na poltrona! Avassalador!

Alta tensão consegue criar uma tensão tão alta, em sequências tão longas e baseadas em uma mis-en-scene fiel (algo que o diretor sempre se mostra confiante) e uma montagem aguçada. Algo que seria entediante e difícil de suportar é tratado, quase que como se fosse em tempo real. Na sequência de apresentação do Serial Killer, que aliás, é uma das melhores apresentações já vistas por minha pessoa em um filme de terror, é misteriosa, acredito que o diretor tinha essa intenção de deixar o espectador dentro da mis-en-scene, criando um efeito janela perfeito, não me lembro em nenhum momento (até as sequencias finais) de dar aquela parada e pensar : "po! eu estou no cinema!", não me lembro nem de estar sentado em uma poltrona confortável, protegido pela grandiosa tela de cinema.
Eis aqui uma lição de tratamento e montagem de planos de tensão e suspense. Sempre quando você acredita na garota o assassino se mostra mais esperto, aquela cara esteriotipada de bruto e não esperto é negada sucessivamente até a morte do assassino.
A própria origem da chacina é algo amedontrador, um sujeito amoral, que mata tudo e todos à sua frente, violência pura e de graça!
Me entristece a necessidade de se explicar um filme como esse. Ora, se a origem de toda a tensão e medo vem da própria violência, de um assassino livre de amarras, uma violência pura e gratuita, porquê revelar que tudo aquilo não foi de fato real e sim parte da imaginação de uma esquizofrênica? Não gosto dessa necessidade de auto-explicação, principalmente nesse filme. Um personagem como Fred Krueger em "A hora do pesadelo" pede algum tipo de explicação pela forma como é visto fisicamente, o personagem inspirado em Ed Gein em "O Massacre da Serra elétrica" pede uma explicação até pela forma em que é visto dentro do filme e pelos seus atos, mas um personagem totalmente sem moral e surpreendente como o assassino de Alta Tensão não pede tal tratamento, ele é violento e mata tudo e todos, ponto. Talvez o filme, se não se auto-explicasse, seria de uma certa forma facista e criticado por isso, mas me agradaria manter a origem de todo aquele medo e tensão até o fim.


Mesmo assim, um filme que me agrada e com certeza deve ser comprado ou copiado para o acervo.

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Vébis queria agradecer pelos DVDs dos filmes do Cassavetes. Um filme que é raramente comentado e é belo e como o Vébis mesmo diria "Faz chorar na rampa!" é o Opening Night:


Um dos melhores cassavetes que já vi, próximo filme que comentarei porr aqui.
Abraços!

terça-feira, janeiro 03, 2006

_Robert Rodriguez e "The 10 Min. Film School"

Finalmente arrumei um tempo e assisti a vários filmes. Dois deles foram de um DVD duplo, uma versão especial de Robert Rodriguez com "El Mariachi" e "Desperado" além de um curta, aparentemente familiar do cineasta.

Um dos extras do El Mariachi é a "10 Minutes Film School" onde ele revelea a película crua, sem os cortes, mostrando a cena da fuga do Mariachi, uma sequência que parece ser cara, na verdade o diretor deu um drible nos gastos e realizou uma cena difícil através da criatividade.
Robert Rodriguez é um bom desenhista que não gosta muito de storyboards para cinema, ele grava tudo em Handcam antes de filmar, a famosa cena do bar em "desperado" estava toda, previamente decupada em vídeo, um jeito inteligente e novo de criar e explorar possibilidades.

No carrefour, consegui achar Easy Rider à 17,50! O filme que segundo a times foi um dos melhores da década em que foi lançado, é realmente foda. O final avassalador finaliza o filme com chave de ouro e te deixa desnorteado por um bom tempo!

Dennis Hopper inovador na direção! queria ver mais filmes dele atrás das câmeras.


Um bom ano novo a todos!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

_Retrospectiva Brasil/CINESESC

RETROSPECTIVA BRASIL:
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CINESESC - ANO BRASIL
Retrospectiva do Cinema Brasileiro de 2005
De 09 a 22 de Dezembro



Dia 09
19h-Como Fazer um Filme de Amor
21h-Cinema Aspirinas e Urubus

Dia 10
19h-Bendito o Fruto
21h-Cidade Baixa

Dia 11
Dia 11 19h-Dois Filhos de Francisco
21h-O Casamento de Romeu e Julieta

Dia 12
20h-Cidade Baixa
22h-Soldado de Deus

Dia 13
20h-Vinícius
22h-O Signo do Caos

Dia 14
20h-Cabra Cega
22h-Vlado-30 anos Depois

Dia 15
19h-Quase Dois Irmãos
21h-Jogo Subterrâneo

Dia 16
15h-Sal de Prata
17h-Confronto Final
22h-Coisa Mais Linda

Dia 17
13h30-Gaigin 2
16h-Tainá 2
18h-Fábio Fabuloso
20h-Vida de Menina
22h-Dois Filhos de Francisco

Dia 18
16h-Doutores da Alegria
18h-O Coronel e o Lobisomem
20h-Cinema,Aspirisnas e Urubus
22h-Feminices

Dia 19
14h-Mais Uma Vez Amor
16h-Coisa de Mulher

Dia 20
16h-A Pessoa é Para o Que Nasce
18h-Filhas do Vento
20h- Quanto Vale ou é por Quilo
22h Diabo à Quatro

Dia 21
16h-Helena Meirelles
18h-Vida de Menina
20h-Garrincha
22hO Cárcere e a Rua

Dia 22
16h-Extremo Sul
18h-Harmada
20h-Casa de Areia
22h-Selva
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Ingressos:

R$4,00
R$2,00(meia para comerciários ,idosos e estudantes)


Passaporte que dá direito a todos os filmes da retrospectiva
R$30,00
R$15,00(meia para comerciários,idosos e estudantes).


_O desprezo – Jean-Luc Godard (1963)

O universo dessa obra prima é puramente cinema em metalinguagem mesclado ao sentimento de Paul e Camille, uma relação em crise discutida de forma abrangente e curiosa com extrema riqueza pictórica-narrativa.


A cena do cinema onde o produtor Prokosh (Jack Palance em bela atuação) e nada mais, nada menos que Fritz Lang interpretando a si mesmo. Essa cena, além de um valor histórico imenso, possui um valor cinéfilo, que praticante de cinefilia não gosta dessa cena? Crítica pura jogada em forma de anarquia na tela, onde os rolos de película são chutados e jogados ao ar.
Os próprios créditos iniciais são trazidos como uma forma de work in progress, ou making of, visando trazer o espectador ao foco, e não o filme em si, os letreiros iniciais são recitados, aumentando essa aproximação.


Godard, agora no universo íntimo do casal, além das analogias em montagens intelectuais, utiliza o próprio labirinto de móveis e pilares, batentes das portas e tudo mais para mostrar em quadro a complexidade da relação amorosa, que agora não é mais sustentada por Camille (Aliás, Bardot, como uma das deusas do cinema, vem com interpretação maravilhosa em seu auge). As cores aqui, vermelho e branco são profundas e importantes no contexto, acaba ironizando a situação, Camille com sua peruca talvez tenta adquirir outra identidade.


A ilha de Capri agora é cenário de reconciliação de Paul, inútil pois Camille se torna inflexível e decidida. Cenas de escadaria, outra vez uma grande analogia. O cinemascope permite esse resultado, acredito que essa forma de captação e exibição possui um maior leque de experimentação do cinema. Eis que a nova anti-propaganda do cine imperfeito (cineimperfeito.com.br) tem influências diretas desse filme. Comentei com até com o Vébis e com o Cláudio (Diretor do curta) a capacidade do cinemascope em atingir um sentimento de solidão inigualável, ainda mais da forma como foi filmada. Um close nunca atingiria tal espectativa, se vista em full, o grau seria visivelmente menor.


Hoje, dia 07/12, sessão dupla comodoro no cinesesc, com exibição do documentário One + One de Godard, tentarei ir. Ontem, exibição de Bens confiscados, filme de Carlão e atuação de Betty Faria, comentarei esse filme em posts futuros. Carlão, foi maestro de um final surpreendente e emocionante, o foda foi finalizar em um super-close!! Lindo!

sexta-feira, novembro 18, 2005

_"Jogo Subterrâneo" (Roberto Gervitz)

Havia achado Fantasmas de marte no extra, DVD fora de catálogo, sabia dos anseios do Vébis em comprar essa obra, Passei na faculdade e fomos ao extra, ele acabou comprando vários outros títulos (entre eles um Sérgio Leone "Quando explode a vingança") resolvemos ir ao cinema, filmes brasileiros por 2 mangos.

Felipe Camargo e sua faceta brilhante de expressão "morta", na verdade esse é assunto pra próximos posts, Vébis havia expressado sua vontade de trabalhar com ele devido exatamente a essa face inquebrável e firme. Na verdade a expressão "morta" acaba ficando viva demais, se tornando um dos detalhes mais perceptíveis do filme, é como Clint Eastwood em "Por uns dólares a mais" que nas horas de menos expressões faciais consegue dizer muito mais. O olhar diz tudo.


esse filme baseado em uma obra de Júlio Cortazar é resultado de uma dupla de roteiristas bem formada Duran/Gervitz que conseguem em meio ao caos de personagens prisioneiros de suas próprias armadilhas criar um final feliz sem se tornar apelativo. A Obra de Júlio Cortazar é versátil e de fácil adaptação ao cinema pelo simples fato de possibilitar diversos entendimentos. Blow Up tomou outros caminhos na adaptação.

O final do filme provocou orgasmos para fãs de Godard com repetições na montagem. O filme pedia exatamente aquilo, nada mais nem menos, Martin chega encontra o piano e passa a ter certeza da espera da personagem de Maria Luísa Mendonça, resolve tocar o piano, ela reconhece a forma de tocar de martin. A cena poderia ter sido filmada em foco seletivo em contraplano, em cortes tradicionais, mas atentou ao cinema de desconstrução com repetições que geraram um sentimento incrível na hora certa.


É um filme de atuações ,martin domina a indomável, os dois se repelem a vista mas na verdade se juntam, e as atuações são importantíssimas em um filme como esse. Ela agressiva e sexy de uma maneira diferente acaba sendo dominada pelo antes louco do metrô. É uma surpresa causada únicamente pelas atuações.

Filmar em um metrô se tornou uma experimentação para cineastas e videomakers de são paulo. Parece ser um lugar onde a criatividade vem à tona, todos os vídeos e filmes que vejo não encontro fotogramas ou frames em que o quadro não chame a atenção, parece ser um prato cheio para experimentações de foco/movimentos e angulação de câmera (talvez pela profundidade facil). o filme no começo lembra muito um curta passado no metrô exatamente pelas experimentações.


Em relação à imagem parece ter sido filmada em 16, com filme de captação em baixa luz para o metrô, uma imagem estilo "O Invasor" esverdeada. Ou talvez tenha sido na finalização, algo a ser pesquisado.

quarta-feira, novembro 16, 2005

_Querem sistematizar as linguagens!

Certas coisas me deixam puto nesse tradicional método de ensino, digo, imposição de idéias.
Por exemplo, na semana passada foi aplicada uma prova de técnicas de iluminação onde desde uma iluminação básica até uma iluminação completa de uma cena de movimentos de câmera seriam o tema da prova. Como de praxe, a prova do professor picareta não foi bem sucedida.

Perguntas com respostas alternativas foram posicionadas e pensadas (não muito na verdade) de acordo com a linguagem clássica, mas que linguagem? linguagem cinematográfica, televisiva, dramaturgica em televisão, de programas ao vivo? me deparei com uma prova confusa onde todas essas linguagens eram misturadas como se fossem frutas afim de se fazer uma vitamina...eis o problema de uma gama do ensino universitário, como uma faculdade de rádio e televisão bitola o aluno com uma prova extremamente impositiva e depois te influencia (verbalmente) à pesquisar novos ramos das diferentes linguagens audiovisuais afim de estimular a criatividade? é uma ironia quase não percebida por muitos infelizmente...

eis que perguntas como:
Como você filmaria uma sequência de luta?

alternativas como:
cortes rápidos para provocar o ritmo certo
cortes com uma cena de angulação parecida
poucos cortes

erros:
Em que linguagem? cinema? televisão? é obvio que a resposta que eles querem é a de ritmos rápidos...mas e se eu quiser filmar de outra forma? está errado?
eu não posso usar repetições como em "O desprezo" e "jogos subterrâneos"?, recente filme brasileiro, onde as repetições no final do filme são posicionadas perfeitamente...
Acossado então é uma obra de pouca importância no cinema pois não funciona...
e "Rope" ou "Festim diabólico" não funciona? desse jeito um filme sem cortes parece ser aritmizado.

pergunte ao picareta sobre Godard ou Alain resnais, Bunuel e Vertov...
ele os citaria como gênios, totalmente pressionado pelo peso de seus nomes no meio em que vivem. Capaz de citá-los sem conhecê-los!

E sobre o Curta "IDE" uma verdadeira obra, um cinema experimental de colhões!!!! como um filme desse ganha nota baixa na banca, porque não foi entendido??
Um dos professores respondeu de forma negativa, dizendo que não havia entendido, e que o trabalho do artista era facilitar o entendimento da obra e por consequência da vida...

Outro picareta que não foi capaz de celebrar uma nova obra, que talvez tenha assistido "um cão andaluz" e, mesmo não tento entendido porra nenhuma, considera Bunuel um gênio sem nem ter apreciado o um pedaço sequer de suas obras.

Poucos entenderam a proposta do curta, perfeitamente sucedido em qualidade pictórica, uma cena onde o mustang azul divide a tela com o céu e o reflexo do mesmo em seu capô...genial. Mas como sempre, não compreendido.

PICARETA!!!
eis aqui meu manifesto consciente!

segunda-feira, novembro 07, 2005

_notas de Brian de Palma...

Ultimamente reasasisti alguns filmes de Brian de Palma (Scarface,os intocáveis, o Pagamento final, Dublê de corpo, Femme Fatale e vestida para matar). O engraçado é que De palma não assina como Tim Burton ou Antonioni (em relação à qualidade e tratamento pictórico dentro do quadro) ele assina seus filmes com trilhas e longas sequências dramáticas, como se fosse um maestro conduzindo toda a orquestra afim de atingir um determinado sentimento, emoção ou ate uma lembrança. Brian de palma é o gênio das Gruas, é um perfeito exemplo de como agregar tecnologia e cinema sem perder a essência clássica herdada pelo mestre Hitchcock (inclusive em femme fatale, os cortes escondidos através do som como na cena do suicídio na viagem surreal de Laura Ash).


Brian de Palma deve ser um voyeur de primeira, aposto que em sua sacada deve ter algum tipo de telescópio (Dublê de corpo) ou uma objetiva de alto alcance escondida em baixo do travesseiro, porque para mostrar uma visão voyeur com tanta perfeição, só vivenciando.

O que me agraga no cinema voyeur de Brian de Palma é a experimentação, apesar de ser um cineasta "popular" de filmes comerciais como missão impossível ele sempre homenageia, dedica, experimenta e quase sempre funciona.

A cena da sinuca no pagamento final, pra mim, é uma das mais grandiosas do cinema, onde um simples fato, irrelevante em relação ao roteiro completo, é contado de forma bela, extremamente bem conduzida e no ritmo certo, com o tempo apropriado....

A cena final de Os Intocáveis acabou se tornando a homenagem mais lembrada, a famosa sequência da escadaria de odessa, do encouraçado Potemkim, agora é relembrada em um experimento do gênio.

Em femme fatale, uma narrativa Noir com imagens em cenários românticos da frança, um filme onde toda a trama é pura viagem do inconsciente ( lembro me de "um retrato de mulher" do mestre Fritz Lang FODA!) femme fatale é obra prima do cinema de Brian de Palma, um roubo de diamantes em pleno festival de Cannes! Brian de Palma joga na sua cara que a modelo é cúmplice de Laura e ninguém percebe até o momento que ela aparece, devido a câmera superior, magistralmente conduzida.


Os elementos de um mundo surreal ( o quadro De ja vue / O assaltante com sede de vingança veste a mesma roupa suja após sete anos...onde evidencia também a presença total do sentimento de vingança, aquele dia se manteve preso em sua mente durante todos os anos...o aquário transbordando)

Scarface!!! a cena do primeiro trabalho de Tony Montana já comentei há um tempo atrás, é outra assinada!


um cinema romântico de colhões!!!
E-mail: raf_armbrust@hotmail.com